terça-feira, 17 de novembro de 2009

Um testamento pra algo que não devia ter valor

Pense comigo, amigo blogueteiro: quanto o teu Orkut vale (em dinheiro)? Nada, presumo. Mas se alguém fosse “comprar” o teu Orkut, você cobraria caro, não é mesmo?
Isso mostra o quanto valorizamos o “mundo azul” diante dos monitores da juventude atual. Tratamos o Orkut como uma valiosa parte de nossas vidas. Uma parte que não passa (ou não deveria passar) de uma página na internet. Entretanto, a página azul ganha valor dentre quase todos por dar a alguns a chance de fingir ter a vida perfeita, a outros um caminho mais fácil para fazer (ou passar a ter) amigos e tornar o amor um sentimento mais Fácil de Sentir.
O Orkut superou os limites da razão humana. Apresentou-nos a esse novo amor, banal e vulgar, como tudo que envolve a juventude de nosso tempo. Junto com esse “amor”, multiplicaram-se as amizades virtuais, em sua maioria forçadas e sem razão de ser. Com esses fatores vieram os “amigos de Orkut” – que mantêm uma ótima relação no Orkut e que mal se falam pessoalmente.
No Orkut tentamos parecer ser o melhor possível. Há quem use frases de efeito do tipo “AnTxiIs diIh mIih cRiTxitcAar mIiH XuPeÉriIh”. Também há quem tente ser superior aos demais dizendo coisas do tipo “naum so perfeitah mais so melho q vc”. Com tais “genialidades”, esse tipo de gente parece querer ser melhor que os demais, mas o que é impossível no Orkut?
O Orkut nos deu um novo mundo. Um mundo virtual onde VOCÊ escolhe a pessoa que é. No Orkut um emo pode ser feliz, uma piranha pode ser comportada e um playboy pode ter cérebro. Nele, a realidade se expressa pelas palavras que VOCÊ diz, ou seja, VOCÊ faz a verdade. Se você passou a noite de sábado em casa, mas colocou no status do Orkut que saiu e se divertiu, a verdade passa a ser essa que fôra inventada.
Diante dos fatores acima, decidi encerrar minha jornada no Orkut. O desprezo, quase ódio, que passei a ter das futilidades e falsidades no “mundo azul claro” não me permite ocupar o mesmo espaço de seus praticantes. Outro fato que me motiva a querer sair é ver o quão minha vida passou a ser mal vivida. Aos 11 anos tive bastante tempo pra aprender a tocar violão e aos 14 pude estudar para as provas de escolas de ensino técnico. Hoje me vejo sem tempo pra aprender a tocar meu teclado e me preparar para o vestibular. Seria culpa dos cursos? Da escola? Da banda? Ou será que é porque até três anos atrás eu não tinha um Orkut pra sugar minha vida?
Sim, sugou. E algo precisava ser feito. Não quero e nem espero influenciar alguém com isso. A mente humana ainda é fechada demais pra aceitar as ideias que vão contra a maré e contra seus interesses.

Dedicado a:

Nathalia – única amizade virtual verdadeira que tive até hoje
Hugo e Jefferson – porque essa banda não seria formada sem o Orkut
Maurício – que me mostrou como uma vida sem Orkut é perfeitamente viável
Brastemp – que formulou o comercial que me fez pensar no tempo que perdemos com certas coisas – o qual pode (e deve) ser mais bem aproveitado

B.S.A.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Os limites das amizades e a desvalorização da família

Segunda-feira, 11 de maio, 04h23min

Sim, eu ressuscitei o Bloguiço. E, em plena madrugada rabisco em meu caderno do curso de espanhol o que mais tarde irá para o PC. Local onde passo a maior parte do tempo, causando desespero em minha progenitora.
Você que me conhece bem sabe que eu sou cercado por pessoas ciumentas. Mas ainda assim é um ciúme saudável, que não me causa problemas. Algumas vezes ele se manifesta relacionado a um objeto, como Flávia com meu violão e como mamãe com o mesmo PC acima citado.
Talvez esse ciúme do PC possa ser atribuído ao ciúme do MSN e dos meus amigos. Como já disse em outro texto, a internet me ajudou a criar algumas amizades e me mantém em contato com a maioria das mesmas.
Você que me conhece muito, sabe o quando o período no qual morei na graaande Melhoral me foi doloroso. Afastei-me dos meus amigos e passava os dias trancado no quarto assistindo a MTV e sonhando em ser músico. Nesse mundo, onde a casa era a única utopia que eu tinha, mamãe era minha melhor amiga. Com ela conversava sobre a minha vida, a vida dela e a vida dos outros. Até que 2008 chegou e os dias de sofrimento chegaram ao fim.
Tendo eu a sorte de conhecer/reencontrar pessoas tão importantes, a concepção de “melhor amiga” atribuída anteriormente a mamis foi pra puta que o pariu. E, aliado à minha antissocialidade (um salve pro nosso querido presidente Lula que foi condescendente com o novo acordo ortográfico) e minha chegada à idade adulta, meu afastamento de mamãe foi inevitável.
Pois bem, em meio a essa porra toda que eu falei aí em cima (quem souber me dizer se o certo é ‘em cima’ ou ‘encima’, favor entrar em contato para esclarecimento do tema, obrigado), aconteceu o fato que me fez pegar o caderno e gastar meu dedo escrevendo tanto. Em meio a uma noite mal dormida causada pela minha preocupação com a gripe suína (mentira, é porque tava pensando na tática que ia usar no meu novo jogo no FM), flagrei-me imerso em um devastador estado de estômago roncando pra caralho. Julgando-me suficientemente esperto pra enganar o mesmo, fui até a cozinha e comi quatro biscoitos cream-crackers. Enquanto fechava a lata, mamãe apareceu em meio aos canudos que servem como cortina no corredor daqui de casa e me indagou: “Agora é assim?”. Suspirei longamente pra não dizer uma ofensa em plena “madrugada das mães”. A própria diz que não gosta da idéia de me ver comendo biscoito tão tarde. Respondo que não gosto da ideia de ela não fazer janta e me deixar no miojo (eu falo meRmo, vocês sabem). Dali me veio um grande esporro no qual mamãe dizia que “não está me reconhecendo”, “eu não tenho paciência com ela” e “os meus amigos são mais importantes pra mim do que ela”.
As duas últimas afirmações citadas me fizeram pensar bastante até pegar o caderno. Realmente tudo que ela faz com repugnância no que diz respeito a mim me irrita sem grande esforço. E nada que ela faça de bom consegue me agradar tanto.
E talvez eu tenha entrado em um processo de gostar mais dos meus amigos do que dela. Se mamãe me manda pôr o lixo pra fora, o faço com a maior má vontade possível. Mas se a Gabi me pede pra levar uns livros pra ela estudar, vou sem reclamar (muito).
E o que fazer quanto a isso? Deixar como está? Voltar a bajular mamis como aos 14 anos? Mandar a Gabi à merda e passar de agir como se a escravidão negra ainda fosse vigente? A resposta só virá com o passar dos anos. Com a transformação de um adolescente bobão em um adulto mané. Até já terei pedido a Avril Lavigne em casamento, me tornarei um músico de sucesso e meu cabelo já terá caído por uso excessivo de alisante.

Dedicado à Leila, que sempre lê o Bloguiço e vai correndo contar pra minha mãe, dizendo que pareço ser revoltado com a vida e com o mundo que me cercou durante minha infância.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Quando a alegria de todos é o repúdio de um

“Ai Deus! Mais uma vez o Matheus me pediu pra ver um texto no blog dele. Não entendo o porquê de ele dá tanto valor pra isso aqui... menino complicado que só.”
Pois é, amigo blogueteiro. Rapaz complicado que eu sou... E nesse texto você vai presenciar uma das minhas maiores complicações, a qual é novidade pra maioria das pessoas que conheço: eu ODEIO carnaval.
“Agora eu já entendi, Kid! Você é uma pessoa infeliz e não suporta a alegria dos demais, que é tão extravasada no carnaval.” Erraste duas vezes, amigo blogueteiro. E, acredite, não são poucos os motivos que tenho pra odiar esta data. Vamos a eles:

1 – Eu sempre odiei samba...
E, como bom carioca que sou, me vejo cercado por tal “estilo” musical, além do glorioso f***, que me recuso a citar o nome. Como o samba reina no nosso carnaval, eis que começo a pensar se realmente eu sou obrigado a ir com a cara do carnaval.

2 – A quantidade de favelados nas festas de rua...
É assustadora e me dá nojo. Cada mulher gorda, de cabelo duro e suja de confete/serpentina que eu vejo comendo espetinho de frango e mastigando de boca aberta e falando cuspindo fiapos de frango que vejo me faz pensar se realmente eu sou obrigado a ir com a cara do carnaval.

3 - Marchinhas de carnaval...
Me fazem ver que sou um excelente escritor. Ninguém merece aquela porra de “mamãe eu quero mamar”, convenhamos. E o pior de tudo é que o povo, em meio a toda a manguaça já ingerida, canta aquelas merdas como se fossem Beatles ou Rolling Stones. E, quando vejo o povão cantando essas merdas me pergunto se realmente eu sou obrigado a ir com a cara do carnaval.

4 – Desfiles de escolas de samba...
São lindos e maravilhosos até a página 2. Se hoje sou um moleque tarado é porque papai me obrigava a olhar fixamente pras mulheres com peito de fora nesses eventos sapucaienses. Sem contar com o dinheiro que o governo investe pra bancar isso tudo. Em 2008, foram investidos R$22 milhões pelo governo do estado pra auxiliar as escolas de samba a proporcionar um excelente ‘espetáculo’. E, enquanto isso, meu colégio continua sem água e com constantes faltas de professores devido a seus baixos salários. E, isso tudo me faz pensar se realmente eu sou obrigado a ir com a cara do carnaval.

5 – Gente que não sabe beber...

É foda. Não tem qualquer escrúpulo e sai fazendo merda por aí. Seja quanto a acidentes de trânsito, brigas ou trombadas “sem-querer-querendo” no meio da muvuca. E você que lê meu blog sabe que eu já me meti em confusões por isso uma vez. E quando penso no que pode acontecer devido a isso, começo a pensar se realmente eu sou obrigado a ir com a cara do carnaval.

6 – Viagens de carnaval...
Nunca dão certo pra mim. Dessa vez o problema nem é o carnaval em si, mas a minha má sorte. Sempre que me meto em uma viagem nessa época, entro em uma furada. E nesse ano, quando tudo podia ser perfeito, um “desentendimento” entre o “bonde que tava fechado pra viagem” acabou com o sonho de passar o carnaval com meus melhores amigos. E, em meio a tanto azar, começo a pensar se realmente eu sou obrigado a ir com a cara do carnaval.

“Nossa Matheus, tua vida é uma merda mermo, hein?” Concerteza é, amigo blogueteiro. Talvez eu realmente seja um pouco ranzinza. O defeito não está no carnaval, e sim em mim. Eu que deveria deixar de ser chato e começar a me divertir no meio de um bando de favelados esbarrando em mim e dançando bêbados. Eu que deveria me acostumar a dividir meu espaço com as negonas gordas rebolando com seus bundões gordurosos e flácidos. Eu que deveria parar de escrever no blog em pleno domingo de carnaval e ir ouvir samba nessa festinha MARA de Guadalupe.

¬¬

Dedicado a minhas amigas Gabi, Tati e Nathalia, que partilham da minha visão sobre o carnaval.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Um texto mal escrito e sem fundamento que só comprova como estou entediado

2 de fevereiro de 2009

Um dia que me parece diferente. Primeiramente pela presença de mamãe em casa, após pedir demissão do emprego. Adeus tempos de ficar pelado em casa, almoçar 2 kg de farofa na Mery e de tocar guitarra no mais alto volume. Aumentando a “estranheza” do meu dia, meu pai me liga e diz que tá com saudades. Vai entender... Pois bem, fui visitar o coroa. Estranho. As ruas estão vazias. Os pipeiros estão fora de atividade. Eu hein...
Pois é, eu sou mesmo muito otário. As férias de muita gente acabaram hoje. As minhas não, continuam firmes e fortes, apesar de voltar precocemente aos cursos.
“Tadinho do Matheus... As férias dele estão uma merda, mas pior ainda seria voltar pro Muquiço, pro Fisk e pra Angloschool...”. Pois é, amigo blogueteiro... É um mato sem cachorro. Mas acredite, ainda preferia voltar pras aulas mesmo que sendo no Muquiçolégio do que continuar nessas férias.
“Ok Matheus, já sei qual é o problema. Vou ali procurar o telefone do hospício e já resolvemos esse teu caso, que já parece diagnosticado.”. Não pense isso, amigo blogueteiro. Estou em pleno domínio da minha mente e sou conciso na afirmação: pelo que essas férias foram, eu prefiro manter a sina de estudante fudido que odeia o colégio e os cursos.
Ponha-se no meu lugar, amigo blogueteiro. Acompanhe o relatório das minhas férias: do dia 8 a 10 de dezembro planejei meu aniversário. Comemorei-o no dia 10, sendo que meus melhores amigos, salvo Renan e Hugo, não foram e a maioria dos que lá estavam não eram muito “amigos”, digamos assim. No dia 13 de dezembro, joguei um futebol de aniversário com a encantadora presença de Robinho, o qual jamais faria questão da presença em tal momento. No dia 19 de dezembro vi meu grande amigo Hugo tomar o rumo de volta pro ES. No dia 24 de dezembro vivi meu pior Natal, vendo meu tio em seu quase leito de morte e meu pai com o joelho do tamanho de uma melancia. O réveillon também foi uma merda, com meu pai bebendo e brigando com meio mundo. Como uma das poucas salvações, tive um “mata-saudades” com Jéssica no dia 7 de janeiro no Cristo Redentor e com Tati, Gabi e Flávia (Tati primeiro pra não pensar que gosto mais das outras u.u) no dia seguinte. Um pulo no Jacarezinho na madrugada do dia 17 pra 18 de janeiro. Uma briga com um dos meus melhores amigos, Wallace, dia 2
6 de Janeiro. Ensaios com o Outside (já está chegando o hit “Não Vá Dizer”, aguardem =D) e, encerrando as férias, o aniversário da Flávia agora dia 31, com direito a febre e diarréia por parte da minha pessoa. –‘
Pois é, amigo blogueteiro. Sem ninfetagem, com apenas duas bebedeiras, sem saídas dignas com os diretores, sem futebol decente com a molecada da rua e sem ninfetagem. Tendo te confessado isso tudo, encerro mais esse texto dizendo: ter aula não é tão ruim assim. ¬¬

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Quando deu pra sair da rotina...

Salve salve amigo blogueteiro! Depois de reclamar do meu grande tédio nas férias, vi que o MSN nem sempre é de todo o mal. Você que me conhece deve saber da existência da Equipe Diretoria Hang. É um grupo o qual eu faço parte cujo objetivo é organizar festas.
Nesse grupo até pouco tempo havia 5 pessoas: eu, Wallace e Renan (melhores amigos uns dos outros) e Filipe e Juliana (outros 2 que são melhores amigos, mas cagavam e andavam pra Diretoria). Eu nunca falei muito com esse Filipe e essa Juliana. O Wallace e o Renan são amicíssimos do Filipe e o Wallace e a Juliana também têm grande amizade.
Pois bem, ontem, sábado, 17 de janeiro, era aniversário dessa Juliana. Ela chamou a nós três (eu, Wallace e Renan). Eu e Renan só íamos por estarmos os três juntos (eu e Renan moramos no mesmo bairro - Guadalupe, enquanto Wallace, Juliana e Filipe moram em um que fica a 30 minutos do nosso: Realengo). Íamos sair daqui de Guadalupe eu e Renan por volta de 17h com destino à casa do Wallace e, de lá, iríamos pra casa da Juliana comemorar seu aniversário. Pra meu desespero, lá pras 16h30min, Renan me ligou e falou que não poderia mais ir. Tive que ir sozinho pra não deixar Wallace isolado, já que Filipe ficaria com os amigos da Juliana. O plano era dormir na casa do Wallace, já que voltaríamos tarde.
Cheguei lá umas 17h10min e fui, com Wallace, pra casa da Juliana. Quando entramos lá e vimos à quantidade de gente e percebemos que não conheceríamos ninguém no local, tomamos a decisão de tomar um gorozinho pra nos soltarmos. Fomos num mercado lá perto e compramos uma garrafinha de 500 ml de uma cachaça chamada "Campo Limpo". Misturaríamos com o refrigerante e entraríamos no clima.
Pois bem, enquanto tomávamos, o resto do pessoal combinou que, por volta de 11h30min, iriam todos pra uma boate lá mesmo em Realengo (chamada Mega Show). Achamos na hora que estávamos convidados e continuamos bebendo. Pra meu desespero a garrafa acabou e aconteceu a maior das tragédias: eu estava sóbrio, porém Wallace não estava. Ele já tava no ponto de pegar o copo do Vasco e começar a falar que o Vasco era um time de tradição (ps. ele é flamenguista)
Deu 11h30min e todos foram saindo. Os pais da Juliana nos levaram em um carro onde só estávamos nós dois. Deixaram-nos em frente a tal Mega Show e tomaram seu rumo. Lá em frente, Wallace (que devia conhecer bem os lugares bons e ruins de seu bairro) me disse que a boate não era das melhores. O pessoal do aniversário da Juliana apareceu por lá e nos indagaram o que lá fazíamos. Até mesmo Filipe, nosso amigo. Pra nós aquilo soou como um: "Vocês não estão com a gente".
Revoltados, demos as costas e fomos andando não sei pra onde. Wallace me disse que conhecia um lugar bom onde podíamos ir só gastando o dinheiro de passagem. Disse que era tal de "pagode do Jacaré". Sabendo da existência de uma favela chamada Jacarezinho no Rio de Janeiro, estranhei o nome. Perguntei-lhe se era seguro e ele me disse que sim, que um primo seu morava perto. Pus na cabeça que não se tratava da favela e fui com ele até lá. Pra isso pegamos duas kombis.
A primeira nos deixou num bairro chamado Cascadura. De lá, pegaríamos outra e estaríamos no tal lugar. Tendo entrado na segunda kombi, sentamos cada um em um banco (daqueles onde sentam 4 pessoas). Wallace (mostrando claramente que estava fora de si) começou a gritar pela janela como um desses auxiliares de motorista "Cascadura, Pilares, Jacaré!". Vendo o que acontecia, percebi que, em meio a tais condições, encararia meu primeiro teste de responsabilidade como adulto que passei a ser há pouco tempo atrás. Em um ponto, entraram 2 meninas muito feias e com roupas mínimas. Ambas sentaram no banco de trás comigo e nos perguntavam nosso destino. Disse que íamos pro Jacaré. Uma delas, que sentou ao meu lado, era um bocado gordinha e já estava me dando mole, nos disse que o "batidão" do Jacaré ainda estaria vazio naquela hora e que só iriam pro mesmo mais tarde. Em um minuto presenciei duas tragédias: estávamos indo a um baile funk e estava sentado do lado de uma gorda que me dava mole.
Saímos da kombi. Lá estávamos. Ouvíamos o funk e seguíamos seu som pra chegar ao local. Entramos num beco pra termos acesso ao mesmo. Estávamos numa favela. A famosa favela do Jacarezinho. Meu medo se confirmara. Sentia que um simples grito com um nome de uma facção criminosa que viesse a soltar me tiraria a vida. Via gente se drogando nas calçadas deitadas no chão. Em alguns "pontos de venda", ouvia os caras anunciando: "Tem pó de 3 e pó de 5!". Estava me mijando. Olhava pra Wallace. Ele parecia não ver o que eu via. Maldita cachaça. Passando na frente de um bar, dois caras desceram de uma moto com uma arma na mão cada. Wallace nada via. Parecia ignorar aquela realidade. Ou por estar acostumada a ela ou por estar fora de seu estado normal. Esqueci a amizade, peguei-o firme pelo braço e disse em seu ouvido: "Wallace! Acorda! A gente tá dentro de uma favela!". Wallace caiu em si e começou a analisar tudo. Eu pegava sua cabeça, mostrava o que estava a nossa volta e, como um guia turístico, apresentava os fatos: “Aquele ali é um menor de uns 12 anos cheirando. Aquele pó ali não é giz, tampouco soro fisiológico.” Saindo de lá, demos meia volta e tomamos o rumo do ponto de ônibus.
Pegamos a van e voltamos pra Cascadura. Chegando lá, Wallace veio com mais uma idéia: "Vamo andar um pouquinho, eu sei o que tô fazendo". Disse que não queria e que preferia ir pra casa. Ele alegou nunca ter estado tão bêbado na vida e que não queria que sua mãe o visse daquele jeito. Desconfiado, mas entendendo sua situação, disse que não o queria, que ele fez por merecer e não devia me fazer entrar em outra fria por sua irresponsabilidade. Ele disse que de lá até a casa de um amigo era rápido. Confiei e fomos. Depois de andarmos uma hora e meia com Wallace pendurado em mim (no bom sentido ¬¬), chegamos ao lugar. Esse amigo é um rapaz chamado Rômullo, que mora em Marechal Hermes, um amigo desse pessoal todo e que eu, com toda minha anti-socialidade e meu preconceito com funkeiros, nunca fui com a cara.
Chegamos lá às 3h da manhã. Wallace deu algumas batidas na janela e, pra nossa surpresa, a casa estava acordada. A mãe de Rômullo percebeu logo seu estado e nos mandou entrar. Lá tomamos um banho e eu recuperei um short que eu tinha perdido lá faz um tempo (você não sabe dessa história, mas tudo bem). Dormimos na sala do cara. Em uma bela hora, despertei no meio da noite. Wallace (que dormia no chão, perpendicularmente ao sofá onde eu dormia) estava sentado no colchão e vomitando no chão da sala.
Acordamos lá pelas 8h e tomamos o trajeto da casa de Wallace. De tarde, vim pra casa e vi meu fim de semana, abalado pela morte de um tio na sexta e o sábado acima narrado, ser encerrado com chave de ouro com a morte de minha querida cachorra. Mas nada que o destino não possa consertar com uma vaguinha na UERJ. (Y)

Merdas acontecem, mas nada supera nossa amizade, 01!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A virtualidade perante à humanidade

Uma nova fase na vida. Onde não nos contentamos mais com desenhos e videogames. Onde queremos estar sempre com os amigos e damos mais valor a eles. Aos 18 anos, já me vejo imerso nessa condição não é de hoje. Antes eu me contentava em passar as férias vendo Chaves, jogando International Superstar Soccer no videogame e jogando futebol na rua com golzinho de chinelo. Ainda pratico a última das atividades citadas, mas, em meio à péssima fase em que me encontro, nem o esporte bretão, ainda que praticado nas condições mais humildes possíveis, é capaz de me animar.
Quando se chega à idade que cheguei, a vida passa a ser vista com outros olhos. Você passa a se sentir mais conectado ao mundo e quer desvendá-lo. Descobrir suas verdades e esmiuçar tudo de bom que ele pode proporcionar.
Pra meu desespero, após uma conversa com meu grande amigo Hugo e algumas das minhas reflexões antes de dormir, entendi que as férias estão sendo pioradas pela maior das maravilhas da tecnologia. A mesma que faz você conhecer o mundo sem sair de casa. E a mesma que faz todo mundo se trancar em casa com preguiça de conhecer o mundo.
Eu sei que pode parecer loucura, amigo blogueteiro. Mas convenhamos. Antes, quando o MSN não nos passava pela cabeça, todos saíamos de casa pra encontrar nossos amigos. Agora nossos amigos ficam a um clique de distância e isso nos dá preguiça de sair de casa para vê-los pessoalmente.
Não estou apedrejando a tecnologia, tampouco dizendo que a internet é uma bosta. Até porque me ajudou a fazer novas amizades e retomar contato com antigos amigos. Por exemplo: você que me conhece bem, sabe que tenho um grande amigo chamado Renan. Depois de 4 anos afastados, a internet nos uniu novamente. Retomamos os contatos com tudo. Entretanto, a internet nos afasta certas vezes. O cara mora a 5 ruas da minha casa e raramente nos vemos, justamente por saber que a internet facilita nossos contatos.
Mas ainda assim a internet facilita, e muito, minha vida com meus amigos. Se não fosse ela, não teria contato com meu grande amigo Maurício, que mora tão longe de mim. Não daria início ao projeto de montar minha bandinha cover (quem conhecer um BOM baixista deixe um comentário com telefone de contato dele, obrigado) e não teria iniciado a grande amizade que tenho por 3 criaturas do curso de inglês e muitas coisas mais.
Mas, como as regras ortográficas, o mundo mudou. A internet conseguiu juntar tudo o que fazia parte da nossa vida em si própria. Toda a informação que antes tínhamos pela TV ou pelos jornais, temos pela internet. Os livros onde fazíamos pesquisas agora são obsoletos, damos ctrl+c e ctrl+v numa “Wikipédia” da vida e concluímos as pesquisas. Pra conversar com os amigos não precisamos encontrá-los ou ligar pros mesmos, pra isso temos o MSN. Pra ouvir música não precisamos das rádios ou comprar CDs, baixamos.
E em meio a esse novo mundo, mudamos antigos hábitos e traços de nossa personalidade. Depois de algumas brincadeiras, recebi uma das maiores críticas de minha amiga Gabi, que dizia que eu não olhava nos olhos dela quando nos falávamos. Talvez por não ser mais tão direto com as pessoas... Talvez por ser tímido demais... Ou talvez por estar sendo mais impessoal devido a criar o hábito de digitar ao invés de falar.
As relações com as outras pessoas são mais impessoais quando pela internet. É mais fácil desenrolar com um peguete, falar a verdade pra alguém e até mesmo ultrapassar alguns limites que as amizades têm quando no aspecto pessoal. Seja sincero consigo mesmo e responda, amigo blogueteiro: com que frequência você diz “eu te amo” a um amigo pela internet e com que frequência você diz o mesmo “eu te amo” a um amigo pessoalmente? E ainda pergunto mais: você costuma dizê-lo pessoalmente aos amigos ou só via MSN?
Pois bem, os tempos mudaram. O mundo que antes saíamos de casa pra explorar nos está disponível através do monitor de um computador. Seja quanto à música, notícias, pesquisas, no modo de agir e até mesmo pra expor as opiniões em blogs. Que a futura geração não sofra por obesidade por passar dias e noites com a bunda na frente do PC. E que as bundas não fiquem quadradas por tanto tempo sentadas e por sexo apenas via webcam. Que eu pare com essa merda de ficar escrevendo pra blog e arrume um emprego pra ajudar a pagar as contas.

“E às vezes eu fico aqui pensando o que vai ser do mundo com essa coisa de internet. O mundo tá se compactando, começando pelos CDs no lugar dos discos de vinil. Eu imagino que a internet vai compactar o mundo, deixando um mundo inteiro dentro de um computador.” - Renato Russo, em entrevista gravada em fita cassete a Marcelo Fróes, 1º de dezembro de 1994.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Os 18 anos de Matheus

Maternidade Alexander Fleming, Marechal Hermes, Rio de Janeiro.
Domingo, 10 de dezembro de 1990, 8h30min

Deus é muito bom. Nesse local e nessa data dava mais um de seus abençoados presentes ao mundo: o recém nascido Matheus Duarte. Mostrando que pode muito bem ser generoso com as pessoas, deu a Carlos Reis Ramos (conhecido artisticamente como Kid) e a Marilza Duarte de Oliveira o mais maravilhoso filho que podiam querer.
Passados os dias na maternidade, Matheus foi conduzido ao seu primeiro lar fora do ventre materno, onde receberia uma excelente criação de seus pais.
Tendo passado pelo colégio Arte Viva, pro qual só ia pra comer areia, Matheus se viu obrigado a ir para a escola Jardim Cantinho Feliz, aprendendo precocemente a ler e escrever, arrumando confusão com os coleguinhas e se tornando um dos mais perseguidos de sua turma. Essa perseguição se arrastou pelos anos de Fonte do Saber, colégio onde estudou até completar a 4ª série, aos 10 anos.
Enquanto isso, Matheus ia descobrindo o mundo que havia do lado de fora de sua casa. Ia conhecendo a rua, o futebol com golzinho de chinelo, as conversas sentado ao meio-fio. Isso tudo na rua Torquato Tapajós, onde morou até os 9 anos.
Imerso em outro período de sua vida, mudanças aconteciam na vida de Matheus. Da Torquato Tapajós, Matheus foi morar na rua Auriflama no ano de 2001, onde ainda mora. E, da Fonte do Saber, Matheus foi, graças a um desconto ganho pela nota no bolsão, ao Santa Mônica de Bento Ribeiro. Enquanto morador de sua rua, Matheus fez um grande amigo: Hugo.
Enquanto isso, Matheus ia adquirindo conhecimentos no Santa Mônica e, no ano de 2002 fez uma das maiores amizades que tem até os dias de hoje: Wallace.
No mesmo Santa Mônica, já em 2003, Matheus teve a oportunidade de vir a fazer outra de suas maiores amizades até os dias atuais: Renan.
Depois de sair do Santa Mônica e, paralelamente, se mudar da rua Auriflama, Matheus passou 3 anos imerso na pior fase social de sua vida: a Melhoral, lugarejo de muita gente favelada localizada no ânus de Guadalupe. Ali, Matheus perdeu o contato com seus melhores amigos e se viu limitado ao pessoal de seu novo colégio: Pio XII. Mas não havia ninguém por lá que tivesse a mesma importância que tiveram, anteriormente, Wallace e Renan. Assim como, na Melhoral, não havia ninguém com a mesma importância de Hugo. Inconformado, Matheus decide deixar o cabelo crescer até dizer chega, como quem vê a vida perder certa parte do sentido.
Apesar de tudo, nesses 3 anos que deveriam ser de puro sofrimento, Matheus desenvolveu a maior paixão que tem até hoje: a música. Tardes e noites assistindo a MTV (na novidade que era o gato-net até então) e aprimorando seu talento no violão. E, tendo contato com o mundo musical, Matheus começou a desenvolver o sonho de ser parte de tal mundo. Sonho que ainda mantém uma pequena chama acesa em seu coração até hoje.
Em meio ao isolamento que lhe foi imposto, Matheus teve condições de se preparar pra seu maior objetivo estudantil até então: a prova pro CEFET-RJ. No período em que estudava para tal, Matheus teve o braço direito quebrado e foi impossibilitado de distrair sua mente com o violão nesse período. No início de 2006, Matheus viu seu esforço premiado com a aprovação no Cefet e na Faetec de Quintino.
A vaga no Cefet só dizia respeito ao ensino técnico, que só começaria no segundo semestre. Nesse primeiro semestre, a mãe de Matheus decidiu fazê-lo aproveitar tal período estudando na Faetec. Porém, sabendo que merecia coisa melhor e assustado com algumas cenas vistas no banheiro masculino, Matheus optou por sair da Faetec e esmolar uma vaga no ensino médio do Cefet.
Após ouvir da boca de um secretário do mesmo Cefet que receberia uma vaga no colégio Pedro II para seu ensino médio, Matheus tomou a triste decisão de aguardar o prometido telefonema do babaca lá. O telefonema não aconteceu e Matheus perdeu o ano letivo de 2006 por acreditar na palavra do tal cara.
Em abril de 2006, Matheus viu seu ciclo da Melhoral chegar ao fim e voltou para a rua Auriflama. Lá, restabeleceu o contato com Hugo e passou a ter grande amizade com Lucas, Hygor, Caio e Dinho. Nesse ano, Matheus voltou a jogar futebol após 3 anos fora de atividade e percebeu que tinha perdido tal dom.
Em 2007, Matheus tornou-se vítima do péssimo ensino estadual do Rio de Janeiro, indo estudar no colégio Joel de Oliveira, alcunhado posteriormente por Matheus como “Muquiçolégio”, devido à péssima localização do reformatório disfarçado de escola.
Contrastando com a nova realidade que via diante de seus olhos, Matheus via o fracasso no curso de edificações que fazia no Cefet se anunciar. Em abril de 2007 perdeu grande parte da motivação para continuar no Cefet se perder quando teve de lidar com a desistência de seu único amigo que lá fez: Maurício. Graças à internet e aos encontros desajeitados, a amizade entre ambos não acabou com o fim da jornada cefetiana.
Enquanto isso Matheus iniciava outros dois cursos paralelos: inglês no Fisk e espanhol na Angloschool. Matheus nunca foi muito com a cara dos dois, tampouco com a cara de seus companheiros de turma em ambos. Até hoje a situação se mantém, salvo algumas exceções no Fisk.
No começo de 2008, Matheus inicia a melhor fase de sua vida. Se junta a Equipe Diretoria Hang e retoma o contato com seus amigos de Santa Mônica: Wallace e Renan.
2008 foi um ano de mudanças e decisões difíceis para Matheus. O tão doloroso corte de cabelo e a desistência do Cefet refletiam isso. Ao mesmo tempo, Matheus perdia a paciência com o péssimo ensino de seu reformatório/escola. Pra sua sorte, havia alguém pra lhe fazer companhia num momento tão difícil e alimentar consigo os sonhos com uma vida futura melhor: Jéssica.
E eis que, no fim de 2008, Matheus fez 18 anos. Tornou-se um adulto e está pronto pra tomar patadas do mundo que o aguarda lá fora. Ainda aprendendo com a vida... aprendendo que é possível fazer grandes amizades em 3 meses como: Tati, Gabi e Flávia. Aprendendo que deve valorizar cada minuto de sua jornada na Terra, pois ela pode acabar a qualquer momento sem ter sido divertida. Aprendendo que deve valorizar todas as pessoas que o amam, pois sem elas ao seu redor, a vida não teria sentido.
Pois é, amigo leitor de blogs... 18 anos. A idade tão almejada pelos adolescentes. Idade pra comprar bebidas sem empecilhos, idade pra freqüentar casas de prostituição. Idade de sair sem pedir permissão pros pais, de ver o que quiser na televisão sem embargos.
Idade também pra tomar cuidado com cada ato a ser tomado. Idade pra ir pra cadeia, arrumar um emprego e não ter que ser sustentado pelos pais, necessariamente.
Pois bem, amigo blogueteiro... Este dia chegou para Matheus. A partir de agora seu orkut indicará sua idade real. Um novo mundo estará diante dele. Mundo que ele ainda não desvendou em 18 anos. Mundo que agora parece mais nítido diante de seus olhos. Chegou a hora de encarar esse mundo e cada desafio que ele pretende lhe impor de agora em diante. Não há mais qualquer barreira que impeça o mundo de diferir a ele toda a crueldade que o impomos a cada problema que temos.
Mas esse dia ainda chegaria. Cedo ou tarde. Resta torcer pra que Matheus saiba como encarar esse mundo como adulto que passou a ser...