Sábado, 02 de agosto de 2008, 23:42
“Nossa! Ou o Matheus não curtiu a noite de sábado ou ta escrevendo de porre!” Errou duas vezes fera. Em uma noite onde quase tudo deu errado, senti-me tão chateado a ponto de tentar achar inspiração para a escrita.
Pra começo de conversa, o plano era curtir a noite de sábado imerso em um belo porre. Não foi bem o que aconteceu e os planos foram por água, ou melhor, vinho abaixo. Fomos hoje à uma boate com o intuito de beber, beijar, esfregar e foder, não necessariamente nessa ordem.
Durante a noite algo, que normalmente acontece comigo sem que eu perceba, me instigou a ponto de me fazer recorrer a escrita (na verdade só estou escrevendo isso porque A BOSTA DO MEU PC PIFOU e O MEU GATO-NET SAIU DO AR, alivio aqui minha raiva). Ao avaliar as meninas que passavam por mim e tentar escolher uma pra pegar de jeito, me flagrei classificando algumas da seguinte maneira: “Ih, que neguinha feia da porra!”.
Após minha saída da boate e agora em minha habitual reflexão pós-festa, fiquei com esta frase na cabeça. Sem muita demora, minha mente me remeteu ao seguinte pensamento: “Por que ligamos a cor da pele da pessoa ao seu padrão estético?”.
Se estendermos um pouco o raciocínio, como fiz até chegar ao ponto de escrever esse texto, podemos pensar em rótulos como “loiraça” e “loira gostosa”. A própria palavra “mulata” - talvez devido a cultura praticamente nula do país onde vivemos, onde o carnaval nos lembra “bundas de mulatas” – já ganha cunho putariotístico (essa aí nem o Aurélio conhece).
Levando as palavras para o aumentativo: pense em uma “loiraça” e em uma “negona”. Aposto que a “loiraça” era linda e gostosa, enquanto a negona aparentava ser feia e, principalmente, gorda.
Levando as palavras para o diminutivo: pense em uma “loirinha” e em uma “neguinha”. Tenho certeza que a “loirinha” tinha baixa estatura e expressão angelical. E aposto que a “neguinha” era bem magra e vou mais além: tinha os dentes tortos.
Não serei hipócrita e dizer que as loiras são feiosas e as negras são lindas, até porque não tenho a intenção de falar sobre estética. Mas é inegável o fato de rotularem a beleza de uma pessoa pela cor de sua pele. E tal fato não se faz presente apenas no que é relativo à beleza.
Voltando ao exemplo da “negona”. Ao tentarmos imaginar uma pessoa com tal rótulo, provavelmente imaginaremos uma mulher com condições de vida demasiadamente humildes e até mesmo com um vocabulário extremamente pobre, talvez até sem todos os dentes na boca. Reforço o que havia dito sublinarmente no parágrafo anterior: temos essa imagem por se tratar da realidade atual, mas não deveríamos rotular uma pessoa como feia, burra ou qualquer outra coisa apenas pela cor da sua pele. Afinal eu mesmo sou negro, lindo e inteligente.
4 comentários:
Ficou bem legal o texto, em algumas palavras mostrou como é o racismo mesmo, porém de forma engraçada.
É o brasileiro é um racista enrustido.Infelizmente.
Já eu,eu nâo sou racista,mas sou um preconceituoso enrustido.
Por exemplo,da boca pra fora eu não tenho preconceito com viado.
Mas se o meu filho,MauMau Dick Jr,nasce viado...fudeu mano.
Sem comentar sobre o conteudo do texto,usou palavras cultas misturadas a linguagem corriqueira e agirias ate proprias.
Alem de um bom conteudo tbm teve uma boa estrutura tanto gramatica quanto estilistica,ta de parabens 011(y)
Caaara, perfeita mistura de humor e inteligência. Parabéns,Math!! \õ/
Quanto ao texto..hilário,mas totalmente verdade!
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