segunda-feira, 11 de maio de 2009

Os limites das amizades e a desvalorização da família

Segunda-feira, 11 de maio, 04h23min

Sim, eu ressuscitei o Bloguiço. E, em plena madrugada rabisco em meu caderno do curso de espanhol o que mais tarde irá para o PC. Local onde passo a maior parte do tempo, causando desespero em minha progenitora.
Você que me conhece bem sabe que eu sou cercado por pessoas ciumentas. Mas ainda assim é um ciúme saudável, que não me causa problemas. Algumas vezes ele se manifesta relacionado a um objeto, como Flávia com meu violão e como mamãe com o mesmo PC acima citado.
Talvez esse ciúme do PC possa ser atribuído ao ciúme do MSN e dos meus amigos. Como já disse em outro texto, a internet me ajudou a criar algumas amizades e me mantém em contato com a maioria das mesmas.
Você que me conhece muito, sabe o quando o período no qual morei na graaande Melhoral me foi doloroso. Afastei-me dos meus amigos e passava os dias trancado no quarto assistindo a MTV e sonhando em ser músico. Nesse mundo, onde a casa era a única utopia que eu tinha, mamãe era minha melhor amiga. Com ela conversava sobre a minha vida, a vida dela e a vida dos outros. Até que 2008 chegou e os dias de sofrimento chegaram ao fim.
Tendo eu a sorte de conhecer/reencontrar pessoas tão importantes, a concepção de “melhor amiga” atribuída anteriormente a mamis foi pra puta que o pariu. E, aliado à minha antissocialidade (um salve pro nosso querido presidente Lula que foi condescendente com o novo acordo ortográfico) e minha chegada à idade adulta, meu afastamento de mamãe foi inevitável.
Pois bem, em meio a essa porra toda que eu falei aí em cima (quem souber me dizer se o certo é ‘em cima’ ou ‘encima’, favor entrar em contato para esclarecimento do tema, obrigado), aconteceu o fato que me fez pegar o caderno e gastar meu dedo escrevendo tanto. Em meio a uma noite mal dormida causada pela minha preocupação com a gripe suína (mentira, é porque tava pensando na tática que ia usar no meu novo jogo no FM), flagrei-me imerso em um devastador estado de estômago roncando pra caralho. Julgando-me suficientemente esperto pra enganar o mesmo, fui até a cozinha e comi quatro biscoitos cream-crackers. Enquanto fechava a lata, mamãe apareceu em meio aos canudos que servem como cortina no corredor daqui de casa e me indagou: “Agora é assim?”. Suspirei longamente pra não dizer uma ofensa em plena “madrugada das mães”. A própria diz que não gosta da idéia de me ver comendo biscoito tão tarde. Respondo que não gosto da ideia de ela não fazer janta e me deixar no miojo (eu falo meRmo, vocês sabem). Dali me veio um grande esporro no qual mamãe dizia que “não está me reconhecendo”, “eu não tenho paciência com ela” e “os meus amigos são mais importantes pra mim do que ela”.
As duas últimas afirmações citadas me fizeram pensar bastante até pegar o caderno. Realmente tudo que ela faz com repugnância no que diz respeito a mim me irrita sem grande esforço. E nada que ela faça de bom consegue me agradar tanto.
E talvez eu tenha entrado em um processo de gostar mais dos meus amigos do que dela. Se mamãe me manda pôr o lixo pra fora, o faço com a maior má vontade possível. Mas se a Gabi me pede pra levar uns livros pra ela estudar, vou sem reclamar (muito).
E o que fazer quanto a isso? Deixar como está? Voltar a bajular mamis como aos 14 anos? Mandar a Gabi à merda e passar de agir como se a escravidão negra ainda fosse vigente? A resposta só virá com o passar dos anos. Com a transformação de um adolescente bobão em um adulto mané. Até já terei pedido a Avril Lavigne em casamento, me tornarei um músico de sucesso e meu cabelo já terá caído por uso excessivo de alisante.

Dedicado à Leila, que sempre lê o Bloguiço e vai correndo contar pra minha mãe, dizendo que pareço ser revoltado com a vida e com o mundo que me cercou durante minha infância.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

A virtualidade perante à humanidade

Uma nova fase na vida. Onde não nos contentamos mais com desenhos e videogames. Onde queremos estar sempre com os amigos e damos mais valor a eles. Aos 18 anos, já me vejo imerso nessa condição não é de hoje. Antes eu me contentava em passar as férias vendo Chaves, jogando International Superstar Soccer no videogame e jogando futebol na rua com golzinho de chinelo. Ainda pratico a última das atividades citadas, mas, em meio à péssima fase em que me encontro, nem o esporte bretão, ainda que praticado nas condições mais humildes possíveis, é capaz de me animar.
Quando se chega à idade que cheguei, a vida passa a ser vista com outros olhos. Você passa a se sentir mais conectado ao mundo e quer desvendá-lo. Descobrir suas verdades e esmiuçar tudo de bom que ele pode proporcionar.
Pra meu desespero, após uma conversa com meu grande amigo Hugo e algumas das minhas reflexões antes de dormir, entendi que as férias estão sendo pioradas pela maior das maravilhas da tecnologia. A mesma que faz você conhecer o mundo sem sair de casa. E a mesma que faz todo mundo se trancar em casa com preguiça de conhecer o mundo.
Eu sei que pode parecer loucura, amigo blogueteiro. Mas convenhamos. Antes, quando o MSN não nos passava pela cabeça, todos saíamos de casa pra encontrar nossos amigos. Agora nossos amigos ficam a um clique de distância e isso nos dá preguiça de sair de casa para vê-los pessoalmente.
Não estou apedrejando a tecnologia, tampouco dizendo que a internet é uma bosta. Até porque me ajudou a fazer novas amizades e retomar contato com antigos amigos. Por exemplo: você que me conhece bem, sabe que tenho um grande amigo chamado Renan. Depois de 4 anos afastados, a internet nos uniu novamente. Retomamos os contatos com tudo. Entretanto, a internet nos afasta certas vezes. O cara mora a 5 ruas da minha casa e raramente nos vemos, justamente por saber que a internet facilita nossos contatos.
Mas ainda assim a internet facilita, e muito, minha vida com meus amigos. Se não fosse ela, não teria contato com meu grande amigo Maurício, que mora tão longe de mim. Não daria início ao projeto de montar minha bandinha cover (quem conhecer um BOM baixista deixe um comentário com telefone de contato dele, obrigado) e não teria iniciado a grande amizade que tenho por 3 criaturas do curso de inglês e muitas coisas mais.
Mas, como as regras ortográficas, o mundo mudou. A internet conseguiu juntar tudo o que fazia parte da nossa vida em si própria. Toda a informação que antes tínhamos pela TV ou pelos jornais, temos pela internet. Os livros onde fazíamos pesquisas agora são obsoletos, damos ctrl+c e ctrl+v numa “Wikipédia” da vida e concluímos as pesquisas. Pra conversar com os amigos não precisamos encontrá-los ou ligar pros mesmos, pra isso temos o MSN. Pra ouvir música não precisamos das rádios ou comprar CDs, baixamos.
E em meio a esse novo mundo, mudamos antigos hábitos e traços de nossa personalidade. Depois de algumas brincadeiras, recebi uma das maiores críticas de minha amiga Gabi, que dizia que eu não olhava nos olhos dela quando nos falávamos. Talvez por não ser mais tão direto com as pessoas... Talvez por ser tímido demais... Ou talvez por estar sendo mais impessoal devido a criar o hábito de digitar ao invés de falar.
As relações com as outras pessoas são mais impessoais quando pela internet. É mais fácil desenrolar com um peguete, falar a verdade pra alguém e até mesmo ultrapassar alguns limites que as amizades têm quando no aspecto pessoal. Seja sincero consigo mesmo e responda, amigo blogueteiro: com que frequência você diz “eu te amo” a um amigo pela internet e com que frequência você diz o mesmo “eu te amo” a um amigo pessoalmente? E ainda pergunto mais: você costuma dizê-lo pessoalmente aos amigos ou só via MSN?
Pois bem, os tempos mudaram. O mundo que antes saíamos de casa pra explorar nos está disponível através do monitor de um computador. Seja quanto à música, notícias, pesquisas, no modo de agir e até mesmo pra expor as opiniões em blogs. Que a futura geração não sofra por obesidade por passar dias e noites com a bunda na frente do PC. E que as bundas não fiquem quadradas por tanto tempo sentadas e por sexo apenas via webcam. Que eu pare com essa merda de ficar escrevendo pra blog e arrume um emprego pra ajudar a pagar as contas.

“E às vezes eu fico aqui pensando o que vai ser do mundo com essa coisa de internet. O mundo tá se compactando, começando pelos CDs no lugar dos discos de vinil. Eu imagino que a internet vai compactar o mundo, deixando um mundo inteiro dentro de um computador.” - Renato Russo, em entrevista gravada em fita cassete a Marcelo Fróes, 1º de dezembro de 1994.