Segunda-feira, 11 de maio, 04h23min
Sim, eu ressuscitei o Bloguiço. E, em plena madrugada rabisco em meu caderno do curso de espanhol o que mais tarde irá para o PC. Local onde passo a maior parte do tempo, causando desespero em minha progenitora.
Você que me conhece bem sabe que eu sou cercado por pessoas ciumentas. Mas ainda assim é um ciúme saudável, que não me causa problemas. Algumas vezes ele se manifesta relacionado a um objeto, como Flávia com meu violão e como mamãe com o mesmo PC acima citado.
Talvez esse ciúme do PC possa ser atribuído ao ciúme do MSN e dos meus amigos. Como já disse em outro texto, a internet me ajudou a criar algumas amizades e me mantém em contato com a maioria das mesmas.
Você que me conhece muito, sabe o quando o período no qual morei na graaande Melhoral me foi doloroso. Afastei-me dos meus amigos e passava os dias trancado no quarto assistindo a MTV e sonhando em ser músico. Nesse mundo, onde a casa era a única utopia que eu tinha, mamãe era minha melhor amiga. Com ela conversava sobre a minha vida, a vida dela e a vida dos outros. Até que 2008 chegou e os dias de sofrimento chegaram ao fim.
Tendo eu a sorte de conhecer/reencontrar pessoas tão importantes, a concepção de “melhor amiga” atribuída anteriormente a mamis foi pra puta que o pariu. E, aliado à minha antissocialidade (um salve pro nosso querido presidente Lula que foi condescendente com o novo acordo ortográfico) e minha chegada à idade adulta, meu afastamento de mamãe foi inevitável.
Pois bem, em meio a essa porra toda que eu falei aí em cima (quem souber me dizer se o certo é ‘em cima’ ou ‘encima’, favor entrar em contato para esclarecimento do tema, obrigado), aconteceu o fato que me fez pegar o caderno e gastar meu dedo escrevendo tanto. Em meio a uma noite mal dormida causada pela minha preocupação com a gripe suína (mentira, é porque tava pensando na tática que ia usar no meu novo jogo no FM), flagrei-me imerso em um devastador estado de estômago roncando pra caralho. Julgando-me suficientemente esperto pra enganar o mesmo, fui até a cozinha e comi quatro biscoitos cream-crackers. Enquanto fechava a lata, mamãe apareceu em meio aos canudos que servem como cortina no corredor daqui de casa e me indagou: “Agora é assim?”. Suspirei longamente pra não dizer uma ofensa em plena “madrugada das mães”. A própria diz que não gosta da idéia de me ver comendo biscoito tão tarde. Respondo que não gosto da ideia de ela não fazer janta e me deixar no miojo (eu falo meRmo, vocês sabem). Dali me veio um grande esporro no qual mamãe dizia que “não está me reconhecendo”, “eu não tenho paciência com ela” e “os meus amigos são mais importantes pra mim do que ela”.
As duas últimas afirmações citadas me fizeram pensar bastante até pegar o caderno. Realmente tudo que ela faz com repugnância no que diz respeito a mim me irrita sem grande esforço. E nada que ela faça de bom consegue me agradar tanto.
E talvez eu tenha entrado em um processo de gostar mais dos meus amigos do que dela. Se mamãe me manda pôr o lixo pra fora, o faço com a maior má vontade possível. Mas se a Gabi me pede pra levar uns livros pra ela estudar, vou sem reclamar (muito).
E o que fazer quanto a isso? Deixar como está? Voltar a bajular mamis como aos 14 anos? Mandar a Gabi à merda e passar de agir como se a escravidão negra ainda fosse vigente? A resposta só virá com o passar dos anos. Com a transformação de um adolescente bobão em um adulto mané. Até já terei pedido a Avril Lavigne em casamento, me tornarei um músico de sucesso e meu cabelo já terá caído por uso excessivo de alisante.
Dedicado à Leila, que sempre lê o Bloguiço e vai correndo contar pra minha mãe, dizendo que pareço ser revoltado com a vida e com o mundo que me cercou durante minha infância.