“Aparecer”. Essa é a palavra que mais tem feito parte do meu vocabulário quando falo sobre alguma vertente do comportamento jovem atual. Em segundo lugar vem “internet”, em terceiro vem “futilidade” e em quarto vem “desistir”. Isso porque estou realmente querendo desistir de conviver com toda essa futilidade. Maldita seja essa geração criada à base de internet que só quer saber de aparecer. Tudo que cerca a vida humana é motivo pra alguém tentar converter em ibope pra si.
Já citei muitos desses motivos aqui no Bloguiço. Os grupinhos que se formam sem qualquer razão de ser, o jeito de ser e se vestir dos coloridos, a paixão não tão verdadeira por Deus, por aí vai.
Mas outro desses motivos tem me chamado a atenção: a quantidade de pessoas que tenho visto namorando ultimamente. Namoradinhos e namoradinhas que são tão importantes pra essas pessoas que eu mal sei seus nomes. Que são tão importantes que só se convertem em dois ou três meses de um relacionamento. Que, depois de um tempo do fim do relacionamento, nem tem seus nomes citados por longos intervalos de tempo. Então, o que fica disso?
Nada. Nada senão alguns depoimentos, um tempinho de subnicks e fotos no orkut, algumas comunidades apaixonadas que essas pessoas entram. Isso tudo gera um certo ibope nesse pequeno espaço de tempo. Muita gente desejando felicidades, perguntando como vai o namoro, dizendo que os dois formam um casal muito fofo. Mas o que fica disso?
Nada. Nada senão absolutamente nada. Um amigo meu, cujo nome não citarei, já tá há quase dois anos com uma menina, sendo que terminam semanalmente e voltam na mesma frequência. Eu disse S-E-M-A-N-A-L-M-E-N-T-E. Não tô mentindo. Vem me pedir mais detalhes que eu digo quem é e conto a história todinha. Aí eu te pergunto: existe algum amor ali? Existe. O amor que juram um pro outro na INTERNET. Mas que é tão fraco que sequer garante duas semanas seguidas de compromisso. E o que fica disso?
Nada. Nunca fica nada. Eu tenho um conselho pra você que tem namoradinho e tenta tirar ibope disso: estuda. O teu namorinho não vai durar, mas o tempo que você perde não volta. Se você gosta de verdade da pessoa já é outra história. Mas se você chega ao ponto de parar na frente do computador pensando em um subnick legal pros OUTROS verem no seu MSN, pensa bem se você não se encaixa nisso que eu falei. Um namoro serve pra você desfrutar da companhia e comer uma menina babaquinha que acredita mesmo que você gosta dela. As pessoas minimamente racionais não vão te dar mais ou menos importância por você estar namorando e postando fotos com a menina que daqui a dois meses você vai largar. Aliás, quando você largar, vai fazer questão de usar os mesmos meios antes usados pra divulgação do namoro pra mostrar que está solteiro. Além de usar frases do tipo: “Solteiro na pista”, “Antes só do que mal acompanhado”, “Solteiro no Rio de Janeiro” e “Agora eu sou solteiro e ninguém vai me segurar”. E também vai querer tirar ibope do fato de estar solteiro, entrando em um ciclo vicioso. E no fim, o que fica disso?
Nada.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Namoros sem duração e querer chamar atenção: alguma relação, motivo pra felação ou só ilusão?
sábado, 13 de novembro de 2010
O Mundo À Frente de Nossos Olhos É O Mesmo À Frente dos Olhos dos Outros
Amigo leitor do Bloguiço, por mais que isso soe estranho, eu andei pensando. Eu critico muito as pessoas nisso aqui. E se eu for o errado? Será que eu não devia gostar de Justin Bieber e bandas coloridas? Será que eu não devia valorizar os grupinhos dos ambientes que frequento e parar de me importar com o tipo de pessoa que eu realmente quero ao meu redor?
Lendo os comentários do texto Reputação x Consciência, conclui que os divergentes pontos de vista em questão refletem diferentes visões de mundo das pessoas. Cada uma acha que a sua maneira de interpretar a situação, bem como o mundo ao redor de uma maneira geral, é a correta. Eu acho que estou certo e o Fulano acha que está certo. Mas será mesmo que há certos e errados nos julgamentos que fazemos no dia-a-dia? Será que a nossa visão do mundo é sempre justa e apropriada? Até onde nossa maneira de ver as coisas pode ser limitada a ponto de nos cegar pro que os outros têm a dizer? Afinal, pra mim, ninguém estará mais certo que eu.
Vamos exemplificar de maneira mais ampla: uma menina é loira, tem uma foto que mostra o seu cabelo loiro no orkut, mas, não satisfeita, ela entra numa comunidade chamada “Sou Loira”. Eu não sou daltônico, meu anjo. Já pude perceber.
Mas é claro que ela não quer especificar pros daltônicos a cor do seu cabelo. E mesmo que fosse, que diferença faria pro indivíduo? Mas ela acha que aquilo é algo relevante, e que seria uma onda a ser tirada.
Leu o que eu escrevi? “Onda a ser tirada”. Não é preciso ir longe com o raciocínio pra chegar nessa conclusão. Mas eu fui. Continuei. E quer saber? Provavelmente ela acha que, por ser loira, é esteticamente superior às ruivas e às morenas. E você acha que as morenas se veem como estando abaixo das loiras? Claro que não. Mas será que teriam essa mesma visão de caso se tivessem nascido loiras?
Eu por exemplo me acho melhor que muita gente por tocar dois instrumentos musicais, ter dois cursos de idioma e mais algumas coisas que não valem a citação. Talvez a importância que eu dou pra esse blog também seja parte desse processo. Mas o que fica é: nós sempre nos julgaremos como sendo o ser humano perfeito. Mas essa perfeição se limita à NOSSA visão de mundo. Eu não gosto de funk e toco guitarra e teclado. Vou me achar melhor que um cara que é conhecido entre os amigos por dançar funk muito bem. Mas ele vai me achar um merdinha porque, apesar de tocar esses dois instrumentos que indeferem pra ele, eu não danço funk como ele. Alguém está certo nessa história? Não. Ou melhor: depende da visão de mundo de quem responde.
Mas deixa eu tomar duas doses de gin pra esse filho da puta ver só uma coisa _|_
domingo, 24 de outubro de 2010
Me explica uma coisa...
... Você que é seguidor de modinhas e faz tudo que todos fazem (ou pelo menos o que os mais descolados (¬¬’) fazem). Qual é a relação que você tem com Deus?
Sendo viciado em orkut como sou, não pude deixar de reparar no fenômeno que vem ocorrendo recentemente. Sendo interessado em política como sou, tenho reparado como o assunto anda
Veja bem, amigo leitor do Bloguiço, eu vejo muita gente entrando em comunidades do tipo “Vamos brincar de nuvem? Eu fico nu e tu vem.”. E essa mesma gente me manda recados daqueles comoventes sobre o poder de Deus. E o pior, alguns ainda por cima começam com “só leia se tiver tempo pra Deus.
Peraí, animal, deixa eu te perguntar uma coisinha antes. VOCÊ tem tempo pra Deus? De verdade? Não tô falando de perder três minutos criando uma promoção no orkut. Tô falando de ir pra Igreja. Também não tô falando de ir pra Igreja pra ficar de papinho com os amigos enquanto o Padre, Pastor ou celebrante em geral está falando. Tampouco ir pra ficar dando mole pra pessoa do sexo oposto (ou não -q) ali do banco do lado. Tô falando de ir pra Igreja, ouvir a tudo, deixar a palavra entrar no teu espírito e levar aquilo pra tua vida. A propósito, repare: a gente vê muita piranha na Igreja.
Eu tenho um recado pra você que acha que vai comprar um lugar no céu com essas comunidades: Se você acredita em Deus, deve saber que ele vê tudo. Não só dentro do orkut, mas na tua vida como um todo, ainda que ela se resuma ao orkut. Então ele tem a perfeita noção do que você realmente é, e não espera só que você diga pra quem quiser ouvir que o ama. Ele também quer que você demonstre isso, viva uma vida de quem tem em consciência os seus ensinamentos, e não vá pra Igreja como quem cumpre uma obrigação ou como quem vai pra bater papo com os amiguinhos. E, pra fechar, Deus não tem que ser mais uma modinha. Pelo contrário. Ele tem que fazer parte da vida de nós todos, mas isso não significa fazer ficar mandando recadinhos e julgar as pessoas porque elas lêem ou não.
domingo, 10 de outubro de 2010
Reputação x Consciência
Querem saber de uma coisa? Eu cansei. Cansei e tô puto. Tô puto e inconformado. A ponto de desistir. Desistir de conviver com as pessoas da minha idade. Só me decepciono. São coloridos, são funkeiros, são playboys, são jogadores de RPG e Tíbia. São fúteis. São muito fúteis. Escrotamente fúteis. Ninguém mais vive pra si. Não. De jeito nenhum. Pra quê? Claro que não.
Cada vez mais eu tenho a impressão de que se vive pra agradar os outros. Agradar a si mesmo não faz parte desse jogo chamado ‘Seja Jovem’. Vejam como a ideia de ‘modinha’, que há pouco tempo nem existia, é tão comum nos dias de hoje.
A maneira como os outros veem os que são jovens é decisiva para o comportamento deles perante o mundo. Então eles usam camisas com gola em V como o Fiuk, usam calças coloridas como o Cine e cortam o cabelo como o Justin Bieber. Mas não é só isso. Os jovens “normais” também me dão nos nervos, e pelo mesmo motivo.
Você que me conhece sabe que eu faço faculdade. Você que me conhece melhor sabe que eu acho o povo de lá um pé no saco. ”Não se misture com essa gentalha” – me diria Dona Florinda. Eu realmente tento, mas é impossível não fazê-lo. Pois bem, estava eu esses dias eu conversando com o único cara que considero amigo de verdade lá dentro, Marcio. Ele me chamou a atenção pra uma rodinha de “amigos” de seis pessoas, sendo que essa rodinha tinha uns quatro metros de diâmetro de tão afastados que os seis tavam. Aí eu te pergunto: isso é amizade? Ficar longe da pessoa? Claro que não. Mas você acha que algum ser ali vai querer se afastar de pessoas que não considera podendo ser visto ali no grupinho? Claro que não de novo. É idiota, mas é verdade.
Na minha turma não é diferente. Um cidadão, cujo nome ainda não vou citar, costuma dizer que eu “me isolo das pessoas”. Pra começar: sou obrigado a ficar perto de gente com quem não me importo? Pra mim isso é um tipo de falsidade. Mas foda-se, vou continuar. Um belo dia estava eu no ponto de ônibus com o Marcio e esse rapaz chegou com o “grupinho”, todos conversando e rindo alto (passe a reparar nisso: estudantes gostam de rir alto. Pergunte-se porque). Veio o cara e disse pra irmos pra perto porque “parecia que estávamos nos isolando do grupo” (¬¬). Respondi que estávamos lá primeiro, portanto eles que deviam vir. Não vieram. O ônibus chegou. Continuei meu papo com Marcio dentro do ônibus. O grupinho, por sua vez, viu seus integrantes irem cada um pra um canto diferente. Como o assunto, as risadas tiveram fim. Por quê? Será que a graça não é tanta assim? Será que o assunto não é tanto assim? Se não é, por que será que não?
Não perca seu tempo se preocupando com a imagem que vai passar pros outros. A vida é mais, muito mais do que popularidade e imagem. Ela é também é cultura, integridade e personalidade. Mais importante do que o que as pessoas acham de você é o que VOCÊ acha de você. Se você não sente necessidade de dar papo pras pessoas ao seu redor, não dê. Isso não é ser antissocial, é ser verdadeiro consigo mesmo.
Texto original alterado devido às mais novas leis que nos impedem de falar explicitamente mal de professores, instituições de ensino e "colegas" de classe.
domingo, 19 de setembro de 2010
Excremência Juvenil
Apresentação
Aconteceu alguma coisa. Alguma coisa grave. Grave e escrota. Um fenômeno devastador estava em curso e nós, pessoas sensatas, fomos incapazes de evitar. E, como um câncer, a doença que tomou conta das mentes juvenis não foi detectada no começo, causando, agora, graves estragos.
Mas, ainda assim, há hospitais e todo um tratamento para os portadores de câncer. E com os doentes da geração atual, o que devemos fazer? “Porrada” – alguns sugeririam.
Para Você Que É Pai
Sinceramente, ainda imagino que seja a opção mais viável. A impressão que tenho é que o comportamento desses jovens resulta de falhas na criação que lhes foi dada. Seria uma geração de pais liberais a grande responsável pelo lixo cultural de nossos dias?
Uma dica pra você que é pai, pra você que é mãe: NÃO, não deixe sua filhinha ouvir Justin Bieber. O mundo já tem futilidade suficiente e não precisa da sua colaboração. Assim como já tem viados e putas o bastante pra não precisarmos de mais coloridos e funkeiros.
Então, pra você que já deixou um filho no mundo: certifique-se de que está deixando algo positivo para a sociedade. Ou, como um educado dono de um cachorro durante um passeio, tenha a decência de limpar a merda que foi deixada ali por sua causa. Pois, mesmo sendo só mais uma merdinha pisável, ainda é algo desagradável e incômodo para as pessoas normais.
Você que é descerebrado
Cara, olha dentro da tua calça. Esse negócio que tá aí se chama pênis. Ele serve pra você usar nas meninas, mas, principalmente, determina que você deve se comportar como um homem. Postura, atitude, culhão, chame como quiser. Você deve usar roupas normais, ter essa postura citada e escutar música de homem.
É claro que somos forçados ao comportamento avesso ao citado. A Rede Globo tem contrato com um rapaz chamado Fiuk. Força-nos a olhar pra cara desse sujeito nos mais variados programas, obrigando-nos a engolir sua existência. Como se já não bastasse conviver com sua patética "música".
E pior do que os caras que ditam o ritmo atual da juventude é você, que os dá valor. Pior do que o Restart ganhar tantos prêmios no VMB é saber que houve gente, muita gente, que gastou dedo pra isso.
Sinceramente, não sei o que houve pra chegarmos aonde chegamos. Passei a minha adolescência ouvindo basicamente músicas dos anos 80 e 90, por considerar bandas como CPM22, Dibob, ForFun e gente como Pitty e Felipe Dylon algumas das vergonhas daquela geração. Depois de considerar o rock como morto em 2006, simplesmente deixei de me interessar pelo que acontecia na música. Ouvia falar de emos, via emos. Achei que não podia ficar pior.
Ficou. E afetou tudo o que havia
Falando
Então, pra terminar com um conselho, como pros pais: muda. Mas muda mesmo. Não tá tarde não. Dá tempo de você começar a sair, ler, ouvir música decente, virar homem ou parar de tratar viadinhos como símbolos sexuais. Até mesmo você, que tem o QI daquela doente mental fã do Restart (doente mental e fã do Restart na mesma frase é pleonasmo), ainda dá pra você tentar mudar isso. Mas, se não quiser, tenta suicídio. O mundo vai ficar muito feliz se livrando de você.
Você que tem massa cinzenta
Quando escrevi a canção O Estrangeiro Na Terra da Juventude pra minha então ativa banda e entretenimento próprio, não imaginei que me veria na posição do personagem menos de um ano depois. A vontade que me dá é não sair nunca mais de casa. Juntar todo o material musical que consumi até hoje e passar o resto da vida ouvindo só este. Sim, sou fraco. Estou me rendendo a tudo isso que está acontecendo. Mas o que fazer? Tem algo muito errado acontecendo, e sou apenas mais um inconformado inepto no meio desse caos cultural da nossa geração.
A verdade é que algo já devia ter sido feito quando o rock começou a perder espaço pra música eletrônica na década de 90. Dançar ouvindo uma música feita num computador é muito mais fácil do que ouvir e sentir uma música feita através de talento e inteligência. Mas, agora mais do que nunca, algo precisa ser feito. Ainda não sei o quê. Mas não dá pra continuar convivendo com essa gente que mancha de laranja a palavra “adolescência”. E enquanto não encontrarmos uma solução razoável pra nós, pessoas inteligentes, retomarmos o controle da situação, teremos de nos limitar a entrar em comunidades que comparam Restart com vuvuzelas e idolatrar caras como Felipe Neto e PC Siqueira de dentro das nossas casas.
“Incendeiem a discoteca, enforquem o bendito DJ. Porque a música que ele toca constantemente não me diz nada sobre a minha vida” – Morrissey, ‘Panic’, 1986
“É preciso acreditar num novo dia, na nossa grande geração perdida, nos meninos e meninas” Renato Russo, ‘Natália’, 1996
“O rock acabou, melhor ligar sua TV” – Gabriel Marques, ‘O Rock Acabou’, 2006
E então, quem se arrisca a ser a voz dos futuros anos 2010?