domingo, 19 de setembro de 2010

Excremência Juvenil

Apresentação


Aconteceu alguma coisa. Alguma coisa grave. Grave e escrota. Um fenômeno devastador estava em curso e nós, pessoas sensatas, fomos incapazes de evitar. E, como um câncer, a doença que tomou conta das mentes juvenis não foi detectada no começo, causando, agora, graves estragos.
Mas, ainda assim, há hospitais e todo um tratamento para os portadores de câncer. E com os doentes da geração atual, o que devemos fazer? “Porrada” – alguns sugeririam.



Para Você Que É Pai


Sinceramente, ainda imagino que seja a opção mais viável. A impressão que tenho é que o comportamento desses jovens resulta de falhas na criação que lhes foi dada. Seria uma geração de pais liberais a grande responsável pelo lixo cultural de nossos dias?
Uma dica pra você que é pai, pra você que é mãe: NÃO, não deixe sua filhinha ouvir Justin Bieber. O mundo já tem futilidade suficiente e não precisa da sua colaboração. Assim como já tem viados e putas o bastante pra não precisarmos de mais coloridos e funkeiros.
Então, pra você que já deixou um filho no mundo: certifique-se de que está deixando algo positivo para a sociedade. Ou, como um educado dono de um cachorro durante um passeio, tenha a decência de limpar a merda que foi deixada ali por sua causa. Pois, mesmo sendo só mais uma merdinha pisável, ainda é algo desagradável e incômodo para as pessoas normais.


Você que é descerebrado

Cara, olha dentro da tua calça. Esse negócio que tá aí se chama pênis. Ele serve pra você usar nas meninas, mas, principalmente, determina que você deve se comportar como um homem. Postura, atitude, culhão, chame como quiser. Você deve usar roupas normais, ter essa postura citada e escutar música de homem.
É claro que somos forçados ao comportamento avesso ao citado. A Rede Globo tem contrato com um rapaz chamado Fiuk. Força-nos a olhar pra cara desse sujeito nos mais variados programas, obrigando-nos a engolir sua existência. Como se já não bastasse conviver com sua patética "música".
E pior do que os caras que ditam o ritmo atual da juventude é você, que os dá valor. Pior do que o Restart ganhar tantos prêmios no VMB é saber que houve gente, muita gente, que gastou dedo pra isso.
Sinceramente, não sei o que houve pra chegarmos aonde chegamos. Passei a minha adolescência ouvindo basicamente músicas dos anos 80 e 90, por considerar bandas como CPM22, Dibob, ForFun e gente como Pitty e Felipe Dylon algumas das vergonhas daquela geração. Depois de considerar o rock como morto em 2006, simplesmente deixei de me interessar pelo que acontecia na música. Ouvia falar de emos, via emos. Achei que não podia ficar pior.
Ficou. E afetou tudo o que havia em volta. Vai ver o que é padrão de beleza pras meninas de hoje: caras magrelos, viadinhos e com franjinha. Talvez o fenômeno que era o viadinho que faz o Harry Potter foi um aviso. Algumas meninas o consideravam e consideram um cara lindo de morrer, enquanto ele tá sempre sendo flagrado com travecos. O próprio Justin Bieber, mesmo não sendo emo colorido, segue um padrão estético parecido e é tão viadinho quanto estes. E talvez isso seja uma etapa natural em direção ao futuro lesbianismo generalizado que ameaça tomar conta das futuras gerações.
Falando em Justin Bieber... Puta que o pariu, Justin Bieber! Aí se a bichinha diz que é mais famosa que Deus, ninguém entende. Quem causa isso são vocês, que dão valor pra esse tipo de merda. E meninas, na boa... Justin Bieber? É sério mesmo isso? Onde esse mundo vai parar? Vamos combinar uma coisa aqui: o cara tem voz de menina, jeito de menina, cara de menina e cabelo de menina. Você quer mesmo me convencer que isso não é um lesbianismo encubado? Ou seria só uma falta absurda de bom senso? Ou será que homem é ele e o viado sou eu? Eu passei a minha adolescência ouvindo músicas com LETRA: Legião Urbana, The Smiths, Cazuza, U2, Nirvana e por aí vai. Também lia, assistia telejornais, estudava. Agora olha pra você, escutando “baby, baby, baby, oooooun ♪”. Quer mesmo me convencer de que a falta de conteúdo do que você escuta não reflete a sua falta de inteligência? Você pode se enganar, e enganar os babacas dos seus pais que deixam você se transformar em um montante de futilidade, mas a mim não.
Então, pra terminar com um conselho, como pros pais: muda. Mas muda mesmo. Não tá tarde não. Dá tempo de você começar a sair, ler, ouvir música decente, virar homem ou parar de tratar viadinhos como símbolos sexuais. Até mesmo você, que tem o QI daquela doente mental fã do Restart (doente mental e fã do Restart na mesma frase é pleonasmo), ainda dá pra você tentar mudar isso. Mas, se não quiser, tenta suicídio. O mundo vai ficar muito feliz se livrando de você.


Você que tem massa cinzenta


Quando escrevi a canção O Estrangeiro Na Terra da Juventude pra minha então ativa banda e entretenimento próprio, não imaginei que me veria na posição do personagem menos de um ano depois. A vontade que me dá é não sair nunca mais de casa. Juntar todo o material musical que consumi até hoje e passar o resto da vida ouvindo só este. Sim, sou fraco. Estou me rendendo a tudo isso que está acontecendo. Mas o que fazer? Tem algo muito errado acontecendo, e sou apenas mais um inconformado inepto no meio desse caos cultural da nossa geração.
A verdade é que algo já devia ter sido feito quando o rock começou a perder espaço pra música eletrônica na década de 90. Dançar ouvindo uma música feita num computador é muito mais fácil do que ouvir e sentir uma música feita através de talento e inteligência. Mas, agora mais do que nunca, algo precisa ser feito. Ainda não sei o quê. Mas não dá pra continuar convivendo com essa gente que mancha de laranja a palavra “adolescência”. E enquanto não encontrarmos uma solução razoável pra nós, pessoas inteligentes, retomarmos o controle da situação, teremos de nos limitar a entrar em comunidades que comparam Restart com vuvuzelas e idolatrar caras como Felipe Neto e PC Siqueira de dentro das nossas casas.

“Incendeiem a discoteca, enforquem o bendito DJ. Porque a música que ele toca constantemente não me diz nada sobre a minha vida” – Morrissey, ‘Panic’, 1986

“É preciso acreditar num novo dia, na nossa grande geração perdida, nos meninos e meninas” Renato Russo, ‘Natália’, 1996

“O rock acabou, melhor ligar sua TV” – Gabriel Marques, ‘O Rock Acabou’, 2006


E então, quem se arrisca a ser a voz dos futuros anos 2010?